terça-feira, 12 de julho de 2011

A guerra nas nuvens

Com o novo serviço de armazenamento on-line iCloud, a Apple entra na disputa para guardar – e usar – suas informações pessoais.

Beck Diefenbach/Reuters

"Se a gente puder ser melhor sem ser diferente, eu estarei satisfeito.” A frase foi dita por Steve Jobs, fundador da Apple, num evento para desenvolvedores de programas em 1997. Quatorze anos depois, Jobs se mostrou mais abatido e magro – segundo rumores, ainda decorrência da luta contra o câncer de pâncreas. Mas, aparentemente, Jobs estava satisfeito. Ele apresentou o iCloud, um serviço baseado na computação em nuvem. Nele, seus dados deixam de ser armazenados na memória de seu aparelho (como computador ou celular) para ficar em servidores espalhados pelo mundo, acessíveis pela internet de qualquer lugar. O iCloud é uma evolução do MobileMe, serviço pago que sincronizava e-mails, contatos e calendário em qualquer aparelho da Apple por US$ 100 anuais. O iCloud não é diferente, como previu Jobs, mas melhor. Além de ser gratuito, ampliou a capacidade para sincronizar documentos, fotos e até músicas.

O crescimento das nuvens se ampara na lógica que levou redes sociais, como o Facebook, a figurar entre as empresas mais bem cotadas do mundo. Vale muito a informação enviada voluntariamente por um consumidor. As empresas passam a conhecer profundamente os hábitos e gostos de seus usuários, oferecendo produtos e serviços com um índice de aceitação maior que o da publicidade tradicional, de massa. O Google estima que os dados nas nuvens deles e de seus concorrentes poderiam render hoje US$ 1,4 trilhão ao ano. É o dobro do que a publicidade on-line deverá faturar em 2011. E as perspectivas são de um mercado em crescimento acelerado. Segundo a Cisco, fabricante de equipamentos de rede, ao final de 2013 o mundo terá 3 bilhões de internautas. O número de aparelhos conectados chegará a 15 bilhões. Cada pessoa terá pelo menos duas conexões com a nuvem. Quanto mais opções as pessoas têm de enviar e receber suas próprias informações, mais elas o fazem.


Dois grandes obstáculos ainda retardam a expansão da computação em nuvem. O primeiro é a precariedade das conexões de internet, principalmente das redes de celulares, incapazes de acompanhar a evolução dos aparelhos que as utilizam. O outro, talvez mais crítico, é a segurança. Em abril, hackers invadiram a rede on-line do console de games PlayStation da Sony. Tiveram acesso a contas de 77 milhões de usuários. Em alguns casos, espionaram dados sigilosos como número de cartão de crédito. A Sony levou quase um mês para recuperar o controle de sua rede.

EpocaNoticias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário